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- 09/01/2026 08:30
- Jorge Avancini
O que as empresas precisam entender para 2026
O ano de 2026 se desenha como um período de decisões complexas para as empresas brasileiras. Em um ambiente marcado por incertezas econômicas, transformações tecnológicas aceleradas e um cenário geopolítico cada vez mais instável, a capacidade de adaptação deixou de ser apenas estratégica e passou a ser vital.
Além dos fatores internos, o contexto internacional adiciona camadas importantes de risco. Tensões geopolíticas, como os movimentos recentes envolvendo a Venezuela, somadas à instabilidade política nos Estados Unidos e à imprevisibilidade das relações globais, afetam diretamente os mercados, especialmente na América Latina. Esses elementos pressionam câmbio, investimentos, cadeias de suprimento e decisões empresariais, exigindo dos gestores uma leitura ainda mais atenta do cenário externo.
Nesse contexto, cresce a relevância da gestão orientada ao curto prazo. Não se trata de abandonar o planejamento de longo prazo, mas de reconhecer que ciclos mais curtos de decisão permitem respostas mais rápidas às oscilações do mercado. Em tempos de volatilidade, planejamento rígido se torna um risco. Flexibilidade, capacidade de ajuste e controle rigoroso de custos passam a ser diferenciais competitivos.
A eficiência operacional assume papel central. Fazer mais com menos, eliminar desperdícios e direcionar investimentos para iniciativas com retorno claro são práticas indispensáveis. Decisões táticas, quando bem fundamentadas em dados e indicadores confiáveis, ganham peso em um ambiente onde margens são pressionadas e erros custam caro.
Outro ponto que merece atenção especial em 2026 é o avanço das exigências regulatórias ligadas à gestão de pessoas. A entrada em vigor das novas diretrizes da NR-1, com foco na saúde mental dos trabalhadores, impõe desafios adicionais às empresas. Questões como carga de trabalho, organização de jornadas, incluindo debates sobre modelos como o 6 por 1 ou 5 por 2, e ambientes psicologicamente seguros passam a demandar ações concretas, não apenas discursos.
Esse movimento exige dos administradores uma visão mais integrada entre produtividade e bem-estar. Cuidar das pessoas deixa de ser apenas uma pauta de recursos humanos e passa a ser uma decisão estratégica, com impactos diretos sobre desempenho, engajamento e sustentabilidade do negócio.
A inovação segue como um vetor essencial de competitividade. Tecnologias como inteligência artificial, automação de processos e análise avançada de dados já fazem parte do cotidiano das empresas. No entanto, o verdadeiro diferencial não está na adoção dessas ferramentas, mas na forma como elas são aplicadas, alinhadas aos objetivos do negócio e à experiência do cliente.
O comportamento do consumidor também segue em transformação. Se por um lado há busca por autonomia e soluções digitais, por outro cresce a valorização das relações humanas. Especialmente nas áreas comerciais, começa a se destacar o resgate do contato presencial, do relacionamento olho no olho e da construção de confiança fora das telas. Nem tudo pode, ou deve, ser resolvido no ambiente online. Em muitos casos, a proximidade física volta a ser um elemento decisivo na geração de negócios.
Esse movimento sinaliza que eficiência tecnológica e relacionamento humano não são opostos, mas complementares. Empresas que conseguirem equilibrar esses dois aspectos estarão mais preparadas para atender às expectativas de clientes e parceiros.
Temas como governança, gestão de riscos, sustentabilidade aplicada ao negócio e transparência nas relações também ganham protagonismo. O mercado demonstra menor tolerância a promessas genéricas e maior valorização de ações práticas, mensuráveis e integradas à estratégia empresarial.
O cenário de 2026 exige administradores capazes de decidir com rapidez, mas com profundidade. Trabalhar com ciclos mais curtos de planejamento, utilizar dados para orientar escolhas, buscar eficiência operacional e, ao mesmo tempo, valorizar pessoas e relações será determinante. Em um ambiente cada vez mais complexo, vencerá quem souber combinar visão estratégica, sensibilidade humana e capacidade de adaptação contínua.
Fonte: SLER
URL original da matéria: https://sler.com.br/o-que-as-empresas-precisam-entender-para-2026/