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- 23/01/2026 08:30
- Jorge Avancini
De olho em Davos
Em um mundo cada vez mais interconectado, acompanhar as movimentações da economia global deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade estratégica para administradores, gestores públicos e lideranças empresariais. Nesse contexto, o Fórum Econômico Mundial, realizado anualmente em Davos, na Suíça, cumpre um papel relevante ao concentrar debates que ajudam a sinalizar rumos políticos, econômicos e institucionais capazes de impactar países, mercados e organizações em diferentes níveis.
Muito além do simbolismo, Davos funciona como um espaço onde discursos, posicionamentos e agendas antecipam tendências. Declarações feitas por líderes globais, como chefes de Estado e executivos de grandes corporações, influenciam decisões de investimento, políticas comerciais, relações internacionais e até a percepção de risco dos mercados. O recente pronunciamento do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Groenlândia, por exemplo, evidencia como questões geopolíticas continuam diretamente ligadas à segurança econômica e à disputa por influência global.
Para o Brasil, e especialmente para economias regionais como a do Rio Grande do Sul, esse tipo de sinalização não pode ser ignorado. Mudanças no cenário internacional afetam desde o fluxo de capitais até o custo do crédito, a competitividade das exportações, o comportamento das commodities e as estratégias de empresas multinacionais que operam no país. Administrar, hoje, exige a capacidade de interpretar esses movimentos e traduzi-los em decisões concretas no ambiente organizacional.
O Fórum também reforça discussões que vêm ganhando centralidade nos últimos anos, como a transição energética, a sustentabilidade, o uso da inteligência artificial, a reconfiguração das cadeias globais de produção e o papel dos países emergentes em um mundo marcado por tensões comerciais e políticas. Esses temas não ficam restritos às grandes economias; eles chegam às empresas, aos governos locais e aos profissionais que precisam adaptar processos, rever modelos de negócio e liderar equipes em cenários cada vez mais complexos.
Nesse sentido, o papel do administrador se torna ainda mais estratégico. Não se trata apenas de gerir recursos, mas de compreender o contexto em que as organizações estão inseridas. A capacidade de antecipar cenários, avaliar riscos e identificar oportunidades passa, necessariamente, por uma leitura atenta do ambiente internacional. Ignorar essas discussões pode significar decisões equivocadas, perda de competitividade e dificuldade de adaptação a mudanças que já estão em curso.
A formação e a atuação dos profissionais da área precisam estar alinhadas a essa visão mais ampla. Estar atento ao que acontece em Davos é, na prática, estar atento ao futuro dos negócios, das instituições e da própria sociedade. A economia global não opera de forma isolada, e o Brasil faz parte desse sistema. Administradores preparados, informados e com visão de longo prazo são fundamentais para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades que surgem em um cenário global em constante transformação.
Fonte: SLER
URL original da matéria: https://sler.com.br/de-olho-em-davos/